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A Aliança Transatlântica

Como conseguimos perceber esta semana, a Conferência de Munique na sua plenitude foi adiada. Contudo, em virtude da grande importância dos temas que nela se discutem e graças à nova era digital em que vivemos, foi possível, contornando as restrições de circulação através da internet, realizar um evento à distância: desta vez temático, na mesma altura em que se costumam realizar. Apelidado de “Beyond Westlessness”, este contou com uma retórica contrária e distinta do que se tem vindo a verificar nos últimos anos: uma falta de Ocidente. Se a estas conferências fora dado outrora um rótulo de “encontro familiar transatlântico” no período da Guerra Fria, melhor descrição não podia ser feita da escolha dos convidados e da interpretação dos seus discursos nesta edição em particular. E em poucos minutos de palavras, mudou-se o rumo de 4 anos passados.

A eleição de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos da América em 2016 marcou o início de uma nova fase para o Ocidente que, apesar de pontuais desentendimentos, sempre havia mantido uma boa e funcional relação. Sob o lema “America First”, a era de Trump enfraqueceu e banalizou a existência de um diálogo histórico transatlântico.

No que diz respeito à NATO, por exemplo, a sua opinião foi por vezes negativa, refletindo uma parte da opinião pública norte-americana que deixou de ver utilidade na aliança transatlântica e na despesa que representa para os Estados Unidos, especialmente quando comparada com a despesa europeia. Trump chegou até a referir-se à aliança como estando obsoleta. No entanto, se por um lado isto representou uma fricção entre os aliados, por outro impulsionou na União Europeia uma maior e muito necessária atenção para as questões da segurança e defesa, levando a um maior investimento nestas áreas.

No final de 2020, a eleição de Joe Biden como Presidente dos Estados Unidos da América veio contrariar o marasmo em que se encontravam as relações transatlânticas e foi recebida como uma lufada de ar fresco na Europa, o que é desde logo percetível olhando para os discursos dos principais líderes europeus, que o felicitaram com clara satisfação. Deixando a retórica de Trump para trás, Biden assegura-nos de que “a América está de volta” e as relações transatlânticas mantêm a sua importância vital. Num mundo que mudou muito em pouco tempo, também devido à atuação internacional do anterior presidente norte-americano, surgiram novos desafios, enquanto outros apenas se deterioraram: uns causados pela competição entre Estados e que ameaçam dividir os blocos estabelecidos e outros desafios globais que requerem a cooperação de todos os Estados.

Em particular, Biden salienta os desafios à Democracia e à sua sobrevivência, tendo em conta as tentativas de Estados autoritários como a China ou a Rússia de apresentarem os seus sistemas políticos como superiores ao democrático. A Democracia deve ser constantemente repensada e renovada, sublinha, para não perder a sua relevância. Concluindo com uma ideia importantíssima a retirar destes diálogos, como desde logo é destacado por Angela Merkel, que é a necessidade de olhar para a segurança de uma forma multidimensional e não reservada a assuntos militares e possibilidade de guerra/conflito entre Estados. Uma visão comum e lata da segurança deve estar na base da aliança transatlântica, porque inúmeras são as ameaças e riscos que se apresentam aos Estados e indivíduos e que afetam o seu bem-estar. Exemplo paradigmático são as alterações climáticas – tema presente em praticamente todos os discursos – que apenas serão solucionadas com uma cooperação multilateral plena.


5 de março de 2021

A Comissão Eurodefense-Jovem


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