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O PAINEL EUROPEU DA INOVAÇÃO

O desempenho obtido pela União Europeia (UE) em matéria de inovação subiu 12,5% entre 2014 e 2021, de acordo com os dados divulgados pelo Painel Europeu da Inovação. No relatório publicado este ano, foram introduzidos novos indicadores para avaliar a evolução registada em diferentes domínios, como a digitalização  e a sustentabilidade ambiental, procurando, deste modo, ir ao encontro das prioridades políticas definidas pela UE.

O relatório elaborado pela Comissão Europeia revela que se verifica “uma convergência contínua dentro da UE, com os países com desempenho inferior a crescerem mais rapidamente do que os países com desempenho superior, colmatando assim o fosso de inovação entre eles”.

Tendo por base a avaliação realizada, os 27 Estados-membros da União Europeia foram divididos em quatro grupos de acordo com os resultados obtidos: inovadores emergentes, inovadores moderados, inovadores fortes e líderes da inovação.

No conjunto da UE, a Suécia ocupa o primeiro lugar em matéria de inovação, seguida pela Finlândia, pela Dinamarca e pela Bélgica. O Painel Europeu da Inovação mostra também que os grupos de países com um desempenho semelhante tendem a estar geograficamente concentrados.

Os líderes da inovação e a maioria dos países considerados inovadores fortes estão localizados na Europa Setentrional e Ocidental, ao passo que a maioria dos países inovadores moderados e emergentes se localizam na Europa Meridional e Oriental.

De acordo com os resultados do Painel Europeu da Inovação, Portugal continua a integrar o grupo de países considerados inovadores moderados. Os seus pontos fortes “estão nos sistemas de investigação atrativos, digitalização e utilização de tecnologias de informação”. No entanto, regista-se um “recente declínio no desempenho da inovação”, que fica a dever-se, segundo o relatório elaborado pela Comissão Europeia, à queda verificada em alguns indicadores que escondem “o forte aumento do desempenho no ensino terciário e o apoio do Governo à investigação e às tecnologias ligadas ao ambiente”. Além disso, “Portugal tem quotas inferiores à média de inovadores em processos empresariais internos”, continuando ainda a apresentar “pontuações abaixo da média nos indicadores relacionados com as alterações climáticas”, sublinha a Comissão Europeia.

A União Europeia no plano internacional

Comparando os resultados da União Europeia com os de outros concorrentes internacionais, o relatório elaborado pela Comissão Europeia revela que a Coreia do Sul é o país mais inovador a nível global registando um desempenho significativamente superior ao da UE. A diferença entre ambos situava-se em 36% em 2014, sendo de 21% em 2021.

Os resultados obtidos pela UE em matéria de inovação são, no entanto, melhores do que alguns concorrentes internacionais, como a China, o Brasil, a África do Sul, a Rússia e a Índia, o mesmo já não sucedendo quando comparados com os do Canadá, da Austrália, dos Estados Unidos e do Japão, que continuam a superar os da União Europeia.

Segundo os dados do relatório sobre o desempenho da UE em matéria de ciência, investigação e inovação (SRIP) de 2020, cerca de dois terços do crescimento da produtividade da Europa nas últimas décadas foram impulsionados pela inovação. Compreende-se assim que a investigação e a inovação constituam uma parte essencial da resposta coordenada da UE à crise provocada pelo novo coronavírus, devendo também apoiar a recuperação sustentável e inclusiva da Europa.

A avaliação regular do desempenho obtido pelos vários Estados-membros da UE em matéria de inovação, iniciada em 2001 com a realização do primeiro Painel Europeu da Inovação, poderá ajudar a concretizar esse objetivo. Nesse sentido, a edição anual deste painel deverá não só evidenciar de forma clara o empenho da UE e dos seus Estados-membros neste domínio, mas também apoiar o desenvolvimento de políticas destinadas a promover a inovação na Europa.


11 de setembro de 2021

Nuno Gama de Oliveira Pinto
Investigador Coordenador, Consultor Sénior,
Membro do Conselho Consultivo


Este artigo foi originalmente publicado na revista: Dirigir & Formar

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